quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Prazeres Noturnos I

- Como é amor, vai ficar quieta o caminho todo? – O homem disse ainda com as mãos sobre o volante e sem desviar os olhos da estrada em meio à floresta. – Sabe que você fica linda assim.
O carro parou no acostamento. Os faróis se apagaram. O homem nem mesmo desceu do carro. Abriu a porta do carona e empurrou o corpo da mulher para fora.
Houve um baque surdo da cabeça batendo nas pedras.
Deu partida no motor e ligou o rádio.
“Mais uma bela noite de prazer.” – ele pensou, e acendeu um cigarro.

Série - Prazeres Noturnos


Prazeres Noturnos
Esta é uma série de micro-contos sobre o que se pode esperar na noite. Muita coisa se diz sobre o momento em que o sol deixa de brilhar sobre nós. A noite é misteriosa! - alguns dizem - Ela é violenta, ou apaixonante, ou mesmo apenas escura. Posso dizer que tem um pouco de cada um desses adjetivos nesta série.
Tire suas conclusões.

Agora é pra valer!! (Será?)

A última vez que postei foi em Maio deste ano. Parece que meus planos foram alterados e pelo que todos os que visitaram meu blog (se é que houve visitas neste tempo) puderam ver, não voltei como queria. Vou tentar mais uma vez!

Os fragmentos de um vampiro podem ser os mais variados possíveis. Não espere encontrar apenas sangue, morte, mistério, etc... (Admito que será o mais recorrente por aqui). Cotidiano, humor e amor (sim! É possível, afinal um vampiro também têm seus sentimentos.

Bem vindos ao que há dentro de uma mente "vampiresca"!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Reativando as atividades por aqui

Olé,

Depois de um tempo inativo, volto com novos fragmentos.
Espero que gostem!!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Fragmento: Lagoa negra

Água escura, quase preta. Odor desagradável, como a podridão. Nenhum ser vivo, nenhum sinal de vida em suas margens.
Assim era a lagoa.
Mas isso não interessava ao homem. Afinal, havia uma garotinha se afogando. Gritos foram ouvidos a distância. A voz de uma menina gritava por socorro.
O Homem correu para a margem. Olhou em volta procurando, não viu nada.
Estar ali era repugnante, mas ele não poderia sair até encontra-la.
Olhou para dentro da lagoa. Borbulhas se formaram e uma voz sufocada pareceu vir com elas. Voz de uma garotinha morrendo afogada. O homem pulou na lagoa.
Desesperado, ele mergulhou fundo para não mais ressurgir. Novas borbulhas submergiram. E a voz de um homem morrendo em desespero pode ser ouvida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Fragmento: Pecando no detalhe

O corpo no chão. Imóvel. Sem vida.
O demônio surgiu logo depois. O próprio diabo viera buscar aquela alma.
- Vamos. Não tenho tempo. – diz o demônio.
- O que? – respondeu a alma ainda sem entender. – Eu servi meu Deus com o maior dos fervores. Sempre conduzindo os fiéis ao senhor. Não pode ser.
- Detalhes padre. Detalhes. – retruca o Diabo puxando a alma do pároco para o buraco do inferno, enquanto ele implora a Deus sua salvação.Num canto da sacristia, ainda com a faca suja de sangue, o coroinha chora de alívio, sabendo que seu corpo nunca mais seria violentado.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Fragmento - Texto: Coração obsoleto

Luzes de velas. Mesa para dois.
Um saboroso vinho e um belo prato. No aparelho de som toca uma balada espanhola.
Do lado oposto, uma cadeira vazia que me entristece.
Ela deveria estar aqui. Seus olhos azuis deveriam me encarar agora. Seu sorriso, cheiro, voz, pele e corpo. Tudo remete a cadeira vazia à minha frente.
Armadilhas de um coração romântico.
A música me transporta para o encontro.
Um parque.
Uma bela e fresca noite de verão. Nos esbarramos por acaso, quase um encontrão. Pedi desculpas e ela retribuiu com um sorriso.
Era o sorriso mais lindo que vi em toda minha existência. Meu coração pulsou da forma que sempre esperei que fosse acontecer. Meu corpo estremeceu por aqueles olhos azuis do jeito que sempre imaginei. Tive certeza que ela seria minha para sempre. Até que a morte nos separe.
Imagens vieram em minha mente. O primeiro beijo aconteceria ali mesmo, perto de um dos brinquedos. Mais provável que seria próximo à montanha russa. Sua boca seria doce, como mel. Nos abraçaríamos e a levaria até sua casa de mãos dadas. Falaria bobagens e ela riria delas. Um beijo de despedida. Ainda mais gostoso do que o primeiro.
Mais beijos, encontros e promessas mútuas de amor eterno.
Casaríamos em Novembro.
A vida passaria calma. Eu sempre agradeceria a Deus por estar ao lado daqueles olhos azuis.
Teríamos um casal de filhos. Passearíamos todos juntos. Alegres e felizes.
Envelheceria sorrindo.
Morreria em Março faltando poucos dias para meu aniversário, porque sempre morremos próximo de completar mais um ano de vida. Ela estaria do meu lado no fim. Sorrindo em meio às lágrimas. Eu diria que a amava eternamente, e ela começaria a chorar compulsivamente. Apertaria minha mão enquanto minhas vistas escureceriam devagar.
Seria um bom fim.
Aqueles lindos olhos azuis como lembrança.
Lembranças de um amor eterno.
As imagens cessam. Ela ainda sorri o mesmo sorriso. Depois olha para o homem ao seu lado que lhe pergunta se está bem. Ela diz que sim com um beijo e vai embora abraçada com aquele homem.
Fico observando por algum tempo até resolver ir para casa dormir.
A balada espanhola termina.
A cadeira ainda está vazia. Pergunto-me por quanto tempo mais.
Tomo um último gole de vinho, apago as velas e vou para cama.
Armadilhas de um coração romântico.
Um coração obsoleto.
Lá no fundo ainda sinto uma fagulha de esperança. Quem sabe um dia.
Amanhã é sábado, dia de parque.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Fragmento: Túmulo violado

Victor acordou suando frio. Sonhara com sua falecida esposa.
No sonho ele ainda dormia, e ela aparecia. Vestida em roupas claras e reluzentes acariciando-lhe.
Ele tentava acordar e não conseguia. Parecia tão real. A dor da perda ainda estava fresca em seu coração.
Não agüentou.
Vestiu-se e foi ao cemitério.
Era tarde da noite, mas precisava ir até o túmulo de Laura.
Pulou o portão sem que ninguém o visse. Correu como louco pelos jazigos. Viu ao longe, luzes de velas.
Estavam próximas do túmulo de sua amada. Chegando em frente ao jazigo gelou.
O túmulo fora violado. Onde deviria estar a tampa do túmulo estava Laura gargalhando, vestida em roupas claras e reluzentes.
Suando frio, ele acordou.

Histórias extraordinárias de um leitor - Capítulo I

A aparição

Era tarde e ventava frio.
Fechei o livro em minhas mãos e levantando-me fui até a janela aberta.
Uma última e maldita olhadela na paisagem, aguçou minha atenção para uma forma mascarada que andava pela rua. Sua máscara tinha a expressão enrijecida de um cadáver, e suas vestes estavam salpicadas por algo parecido com sangue.
A figura interrompeu o andar manso e por alguns segundos permaneceu imóvel.
Parecia tentar ouvir algo.
Quando voltou a mover, com um giro no eixo do próprio corpo, olhou direto para mim.
Fora algo aterrador, saber que a estranha e demoníaca criatura, me encarava diretamente. Ainda mais pavoroso, fora então ouvir um som que certamente originou-se das entranhas daquela aparição, o lamento mais horrível que poderia imaginar em forma de grito.
Um medo terrível acometeu-me.
Tranquei a janela tomado pelo pavor.
Reunindo meus pensamentos desordenados pensei que seria melhor entregar-me ao sono e tentar assim esquecer aquela cena, mesmo não sabendo se conseguiria dormir.
De frente a cama, detive-me.
Sobre o lençol, encontrava-se o livro que minutos atrás, estava em minhas mãos.
Agora, não mais fechado.
Estava aberto no início de um capítulo.
O título absorvia minha atenção.
Arrependo-me de ter atentado para aquelas palavras, que carregadas de um magnetismo sobrenatural, fizeram-me ler até as últimas linhas daquele texto.
A Máscara da morte rubra, Edgar Allan Poe.

Histórias extraordinárias de um leitor

Olé,

Publicarei por aqui uma série de nome" Histórias extraordinárias de um leitor", com textos que homenageiam um dos maoiores escritores de todos os tempos e principalmente, meu escritor favorito: Edgar Allan Poe.

Para quem não conhece vai uma pequena apresentação: Edgar Allan Poe (Boston, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, 7 de outubro de 1849) foi um escritor, poeta e romancista, crítico literário e editor estado-unidense.
Poe é considerado, juntamente com Jules Verne
, um dos precursores da literatura de Ficção Científica e fantástica modernas. Algumas das suas novelas, como The Murders in the Rue Morgue, The Purloined Letter e The Mystery of Marie Roget, figuram entre as primeiras obras reconhecidas como policiais, e, de acordo com muitos, as suas obras marcam o início da verdadeira literatura norte-americana.

Gracias!!

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Fragmento: Matança

O vento uivou mais uma vez.
Gélido e fétido.
Os odores de carne fresca rasgada e sangue escorrido eram repugnantes.
O líquido rubro ainda descia pelos corpos dilacerados e banhava o quintal da casa refletindo a luz intensa da lua.
Yara tremia a cada membro de sua família que encontrava. Por muitas vezes teve ânsia de vômito. Seu irmão, sua avó e pais, brutamente assassinados.
Caiu de joelhos ao ver próximo a cadeira de balanço, a cabeça degolada de sua mãe.
Enquanto chorava, sentiu algo melado grudando entre seus dedos. A luz da lua pode ver o que era.
E então lembrou do gosto doce de sangue em sua boca. E tudo fez sentido.